BLOG

Dia Mundial do Autismo: O que realmente significa estar dentro do espectro?

De alguns anos para cá, o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganhou grande visibilidade nas redes sociais. São cada vez mais comuns relatos de diagnóstico, além de conteúdos com listas de sinais e características que prometem facilitar a identificação de quem busca respostas.

 

Mas será que um transtorno tão complexo e que carrega o termo “espectro” pode realmente ser reduzido a caixinhas tão estreitas, pensadas para caber em vídeos de poucos segundos? O que, de fato, significa ter um diagnóstico de autismo? Aproveitando o mês de conscientização, vale a pena aprofundar essa discussão.

 

O espectro

Assim como outros psicodiagnósticos, o autismo é um conjunto de sintomas que, juntos, geram prejuízo funcional em mais de um âmbito da vida do indivíduo. Essas características não se manifestam de forma uniforme. Elas variam tanto em intensidade quanto em combinação, de acordo com a singularidade de cada indivíduo. Isso significa que duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem apresentar perfis completamente diferentes. Os sintomas, entretanto, entram dentro de alguns tópicos gerais. São eles:

  • comunicação social 
  • rigidez cognitiva 
  • processamento sensorial 
  • interesses restritos

 

Na prática, isso quer dizer que uma pessoa pode apresentar maiores dificuldades na comunicação social, enquanto outra pode ter maior impacto no processamento sensorial ou na rigidez cognitiva. Embora os diferentes domínios estejam presentes, eles se expressam de formas distintas e são ativados por contextos variados. É por isso que você pode, por exemplo, encontrar uma pessoa com TEA que participa e até aprecia ambientes com muitas pessoas e estímulos intensos, como festas. Isso não invalida ou contradiz o diagnóstico, apenas ilustra a diversidade de apresentações dentro do espectro. O termo “espectro”, portanto, não se refere a uma linha linear que vai do leve ao grave, mas sim a uma combinação única de características que se organizam de maneira particular em cada pessoa.

 

Níveis de suporte

Quando se fala em “gravidade”, atualmente se utiliza uma forma mais adequada e humanizada de compreensão: os níveis de suporte. Em vez de classificar o autismo como leve ou grave, considera-se o quanto de apoio a pessoa necessita no seu dia a dia para lidar com demandas sociais, emocionais e funcionais.

 

  • Nível 1: a pessoa tende a apresentar maior autonomia, podendo manter independência nas atividades diárias. Ainda assim, pode enfrentar dificuldades na comunicação social, na flexibilidade e na regulação emocional, necessitando de algum suporte pontual. 
  • Nível 2: há maior impacto nas habilidades de comunicação e na flexibilidade cognitiva, sendo necessário um apoio mais consistente para lidar com demandas cotidianas. 
  • Nível 3: caracteriza-se por uma necessidade significativa de suporte contínuo, incluindo auxílio em atividades básicas e maior dependência no dia a dia. 

 

Através desta classificação é possível compreender e planejar o tipo e a intensidade de apoio que ela precisa em determinado momento da vida. Inclusive, o nível de suporte pode variar ao longo do tempo, dependendo do contexto, das intervenções e das demandas enfrentadas. E isso reforça, mais uma vez, a ideia central: estamos falando de um espectro dinâmico, diverso e individual.

 

Mais do que um rótulo diagnóstico, o Transtorno do Espectro Autista nos convida a ampliar a forma como entendemos o funcionamento humano. Falar em espectro é, sobretudo, reconhecer a diversidade de experiências, de formas de perceber o mundo e de se relacionar com ele. 

 

Nesse sentido, acolher é fundamental, mas não suficiente. O respeito também passa pela disposição em se educar, em buscar compreender para além do senso comum e das informações superficiais. Informar-se é uma forma de cuidado, porque diminui a ocorrência de julgamentos e permite encontros mais genuínos. Quando acolhimento e conhecimento caminham juntos, criamos espaços mais seguros, éticos e verdadeiramente inclusivos.

Está gostando do conteúdo? Compartilhe !

Preencha o Formulário

para receber o seu E-book por e-mail