Toda profissão tem uma versão simplificada que circula por aí. A da psicologia talvez seja a do divã, do silêncio, da pergunta sobre a infância e, claro, da famosa “culpa na mãe”. Se você lembrar de mais algum estereótipo, conte para a gente nos comentários.
O trabalho real é bem mais amplo. E neste 27 de agosto queremos contar um pouco mais sobre o que acontece por trás de uma sessão de psicoterapia, especialmente quando o assunto é sono.
O que acontece dentro de uma sessão
Uma psicóloga escuta, isso é verdade. Mas escutar aqui tem um sentido técnico específico. É identificar padrões que a pessoa vive há tanto tempo que, muitas vezes, já não consegue percebê-los. É perceber o que se repete entre uma história e outra. É notar o que fica de fora do relato.
A partir daí começa o trabalho de fato, que envolve construir hipóteses, testá-las junto com a pessoa, propor experimentos, revisar o que funcionou e o que não funcionou. Em abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental, isso acontece de forma bastante estruturada, com objetivos definidos em conjunto pelo terapeuta e pelo paciente e acompanhamento do que vai mudando ao longo do processo terapêutico.
Boa parte do trabalho também acontece fora da sessão. Estudar o caso, revisar a literatura sobre aquela questão específica, preparar intervenções, supervisionar, discutir com colegas. A hora que o paciente passa na sala é a parte visível de algo maior.
E quando o assunto é sono
Aqui o trabalho combina psicologia e ciência do sono. Assim, avaliar o sono envolve entender ritmo circadiano, cronotipo, organização da rotina, hábitos inadequados, comportamentos que sustentam a dificuldade e crenças que a pessoa desenvolveu sobre o próprio dormir. Envolve usar instrumentos como diários de sono e actigrafia, que registram o padrão de sono ao longo de semanas. E envolve distinguir o que é insônia do que é outro transtorno do sono, do que é consequência de um quadro de ansiedade ou depressão, por exemplo. Por isso, duas pessoas que chegam dizendo “eu não consigo dormir” podem estar vivendo problemas bastante diferentes e precisar de estratégias diferentes.
A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia, a TCC-I, é hoje o tratamento de primeira linha recomendado internacionalmente para insônia crônica. Ela funciona porque atua sobre os mecanismos que mantêm o problema, e não apenas sobre o sintoma da noite mal dormida.
Na avaliação neuropsicológica, trabalho que também desenvolvemos, o raciocínio é parecido. Aplicar testes é uma parte do processo. O trabalho envolve integrar os resultados com a história da pessoa, com o que a escola ou a família observa, com o que aparece na entrevista clínica, e transformar isso em um entendimento que oriente decisões concretas.
Como a Cronosul chegou até aqui
A história começou em 2009, quando Alicia iniciou o mestrado na UFRGS, estudando sintomas psicológicos na apneia obstrutiva do sono no Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa em Sono. Em 2012, no primeiro dia de Melissa no Laboratório de Cronobiologia e Sono do Hospital de Clínicas, as duas se encontraram. Alicia começava o doutorado e Melissa chegava ao laboratório. Dali nasceu uma parceria que continua até hoje.
Luciene chegou alguns anos depois, em 2017, também pelo caminho da pesquisa. Com formação em Neuropsicologia e Terapia Sistêmica e experiência em Reabilitação Neuropsicológica, passou a colaborar voluntariamente no mesmo laboratório. Em 2018, iniciou o mestrado, com Alicia como coorientadora, e as duas trabalharam juntas no Ambulatório de Psiquiatria do Sono, orientadas pela Professora Maria Paz Hidalgo.
A experiência de pesquisa acabou se transformando também em prática clínica. Em 2016, Alicia e Melissa criaram uma consultoria em cronobiologia e sono, que foi o embrião da Cronosul. Nos anos seguintes vieram a certificação em Psicologia do Sono pela Associação Brasileira de Sono e pela Sociedade Brasileira de Psicologia, sendo a Alicia e a Luciene as primeiras psicólogas de Porto Alegre a obtê-la, a criação da empresa em 2020 e a inauguração da primeira sede em 2021.
Mesmo em plena pandemia, os atendimentos online permitiram que o trabalho chegasse a pessoas em diferentes lugares, inclusive brasileiras vivendo fora do país. Hoje, a equipe reúne psicólogas com formações complementares em psicoterapia, psicologia do sono e neuropsicologia, atendendo presencialmente em Porto Alegre e também de forma online.
Por que contamos isso
Porque escolher uma psicóloga envolve confiar em alguém com uma questão que você talvez ainda não tenha conseguido nomear. E confiança também se constrói sabendo quem está do outro lado, qual é a sua formação, de onde vem o conhecimento que orienta seu trabalho e como essa pessoa entende o processo terapêutico.
O trabalho que fazemos na Cronosul é resultado de anos de laboratório, pesquisa, formação, artigos lidos e escritos, supervisões, discussões clínicas e, principalmente, das histórias das pessoas que passaram por nós.
E vem também de uma escolha sobre como fazer psicologia: com base em evidências, sem prometer o que não se pode cumprir, respeitando a singularidade e o tempo de cada pessoa.
Neste 27 de agosto, queremos agradecer a todas as psicólogas e psicólogos que exercem a profissão com responsabilidade, ética e compromisso com as pessoas.
E agradecer especialmente a todos os clientes que fizeram e fazem parte da nossa história e confiam à nossa equipe o cuidado com sua saúde e bem-estar.
Feliz Dia do Psicólogo!💙





