Em uma avaliação neuropsicológica, além dos testes aplicados, o brincar é fundamental neste processo de conhecer e entender o paciente. Mas por que essa prática comum no dia a dia das crianças é tão importante dentro do processo de avaliação? O que faz com que os psicólogos e neuropsicólogos invistam neste meio de investigação?
A brincadeira pode variar desde montar jogos, pintura, criar histórias, jogos de tabuleiros, ler, entre várias outras. A ideia é que a brincadeira tenha uma função dentro da sessão. Neste sentido, procura-se entender a demanda do paciente e o melhor brinquedo para observação e acompanhamento do mesmo durante as sessões. Os brinquedos nos mostram de forma lúdica como a criança brinca, mas também como está o desenvolvimento motor fino e grosso, a criatividade, a atenção e memória e as emoções, por exemplo.
O brinquedo é uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento infantil. Com a casinha terapêutica, por exemplo, podemos observar a vida cotidiana do paciente, se ele consegue criar histórias diversas, se tem ou não o brincar simbólico, ou mesmo só usa os brinquedos para organizar e após isso acaba. Outro exemplo é um livro, com ele podemos trabalhar a nomeação de objetos, cores e animais, observar como está a atenção e memória do paciente ao pedir para ele recontar a história, estimular a leitura e a fala
É com o brincar que observamos como a criança lida com alguns aspectos que emocionais que podem ou não estar evidentes. E é também com a brincadeira que podemos ensinar regulação emocional, autocontrole, percepção de si e dos outros. Neste sentido, o brincar é um complemento dos testes padronizados usados nas avaliações neuropsicológicas e por isso é tão usado nas sessões com crianças, uma vez que, com as brincadeiras podemos observar diversas funções e situações.
O objetivo de uma avaliação neuropsicológica é diagnosticar déficits e preservações cognitivas, caracterizar o perfil neurocognitivo com os fatores clínicos observados e a história de vida do paciente, caracterizar prognóstico e contribuir para planos de intervenção e encaminhamentos. Desta forma, a avaliação neuropsicológica na Cronosul conta com entrevista com os pais ou responsáveis pela criança, assim como, com profissionais que o atendem, e no caso de crianças, o ideal é entrar em contato com a escola para entender o comportamento e aprendizado. A primeira sessão com a criança serve para a criação de vínculo, e é a primeira vez que o brincar entra em cena, assim nas próximas sessões, o paciente já conhece o ambiente e a avaliadora. Nas próximas sessões, a bateria de teste é pensada para cada sujeito e é intercalado os testes psicológicos padronizados, com o brincar com propósito para assim entender melhor a criança. Ao final do processo é feito o laudo com toda a análise das sessões.
Considerando isto, usar as brincadeiras com as crianças durante as sessões, é interessante, pois ajuda a esclarecer pontos que são observados nos testes psicológicos a partir de outra ferramenta. Este tema se torna importante para esclarecer como o brincar é usado e como a ajuda dele é fundamental para análise cognitiva, comportamental e emocional das crianças.





