Com o ano chegando ao fim, é comum perceber uma mistura de emoções: por um lado certo alívio por ter chegado até aqui e sentindo orgulho por algumas conquistas; por outro lado, cansaço acumulado ou até frustração por aquilo que não aconteceu como o esperado. Nesse momento, é comum surgir a sensação de que deveríamos fechar o ano com tudo resolvido, metas batidas e decisões tomadas. Mas você já se perguntou se precisa ser assim mesmo? Neste sentido, a saúde mental nos convida a olhar para esse período com mais gentileza e menos cobrança.
O ano novo pode ser um marco temporal para iniciar uma mudança. Estudos mostram que alguns temas são comuns quando falamos em resoluções, como saúde física, relacionamentos interpessoais, crescimento pessoal e resultados acadêmicos. A literatura ainda é inconsistente quanto às taxas de sucesso dessas resoluções. Ou seja, não há consenso sobre o quanto as pessoas conseguem, de fato, atingir os objetivos que estabelecem no início do ano.
Pensando nisso, tenha em mente que você não precisa entrar no novo ano com todas as respostas. Não precisa dar conta de tudo, nem transformar o próximo ano em uma lista extensa de obrigações e tarefas. Antes de planejar o próximo ano, vale reconhecer o caminho percorrido até aqui. Mesmo aquilo que saiu do plano ensina e nos transforma. Reconhecer aprendizados, outras necessidades e limites é um passo essencial para iniciar um novo ciclo com mais consciência da realidade atual.
Além disso, a forma como lidamos com as próprias expectativas e comparações no fim do ano impacta diretamente nosso bem-estar emocional. Comparar os bastidores com vitrines que mostram um recorte de sucesso costuma gerar sensação de insuficiência e fracasso, mesmo quando há esforço e crescimento real. Essa comparação desconsidera contextos, limites e processos, e tende a aumentar a autocrítica e a sensação de inadequação.
Quais estratégias podem ser usadas ao criar novos planos para o próximo ano?
Quando pensamos em planos para 2026, é importante diferenciar desejo de cobrança. Planejar não precisa ser sinônimo de se pressionar. Metas mais realistas, flexíveis e sustentáveis tendem a ser mais saudáveis do que objetivos rígidos e grandiosos. A ciência indica que metas mais diretas, possíveis e conectadas a propósitos pessoais aumentam a sensação de autonomia e reduzem o risco de frustração e abandono já nos primeiros meses do ano.
Em vez de tentar mudar tudo de uma vez, que tal você refletir sobre o que realmente importa na fase da vida que você está passando agora? E que tal também avaliar quais pequenas mudanças podem gerar impacto positivo na rotina? Algumas estratégias simples e eficazes incluem:
- Ajustes graduais na rotina
Pequenas escolhas feitas de forma consistente costumam produzir efeitos mais duradouros do que grandes mudanças repentinas. Por exemplo:
- estabelecer horários mais regulares para dormir e acordar, mesmo em semanas mais corridas;
- reservar alguns minutos do dia para pausas reais, longe das telas;
- organizar a agenda de forma mais realista, respeitando limites de tempo e energia.
Todas essas ações feitas de forma intencional podem melhorar significativamente a disposição e o equilíbrio emocional, reduzir o nível de estresse acumulado e diminuir a sensação constante de urgência e cobrança.
- Cuidado com a energia mental e física
Iniciar o ano com mais disposição envolve reconhecer que sono de qualidade, momentos de lazer e limites claros entre trabalho e vida pessoal não são luxos, mas necessidades básicas. Evidências científicas mostram que a privação de sono e a sobrecarga crônica prejudicam a regulação emocional, a tomada de decisões e a capacidade de lidar com desafios. Até aqui, fica claro que iniciar mais um ano exausto torna qualquer planejamento e organização mais difíceis.
- Organização dos pensamentos como forma de cuidado
Organizar ideias também pode ser uma forma potente de cuidado. Colocar no papel pensamentos, intenções e preocupações ajuda a reduzir a ansiedade e a sensação de confusão mental. Escrever permite sair do modo de urgência e entrar em um processo mais consciente de construção. Você não precisa definir tudo agora, mas dar forma ao que está na sua cabeça já pode trazer alívio e clareza.
- Buscar apoio especializado também faz parte do cuidado
Ao planejar 2026, talvez a pergunta mais importante não seja “o que eu preciso conquistar?”, mas sim “como eu quero me sentir ao longo do caminho?”. Cuidar da saúde mental é um processo contínuo, que envolve escolhas diárias, respeito aos próprios limites e abertura para revisões quando necessário.
Se, ao olhar para o próximo ano, você percebe cansaço acumulado, dificuldade de desacelerar, problemas com o sono ou a sensação de estar sempre em dívida consigo mesmo, saiba que buscar apoio também é uma forma de planejamento. O acompanhamento psicológico pode ajudar a organizar pensamentos, redefinir prioridades e construir uma rotina mais alinhada ao que realmente importa.
Na Cronosul, acreditamos que saúde mental, sono e qualidade de vida caminham juntos. Nosso trabalho é justamente apoiar pessoas que desejam viver com mais equilíbrio, consciência e bem-estar, respeitando seus ritmos e sua história.
Que 2026 comece com menos pressa, mais clareza e escolhas que façam sentido para você. E se precisar, estamos aqui para caminhar ao seu lado.💙✨
Referências
Locke EA, Latham GP. Building a practically useful theory of goal setting and task motivation. A 35-year odyssey. Am Psychol. 2002;57(9):705-717.
Oscarsson M, Carlbring P, Andersson G, Rozental A. A large-scale experiment on New Year’s resolutions: Approach-oriented goals are more successful than avoidance-oriented goals. PLoS One. 2020;15(12):e0234097.





